Tradição centenária: a majestosa e luminosa Procissão de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja
09/02/2026Os registros históricos e a memória viva do povo romariense confirmam que, há mais de um século, a Procissão de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja se mantém como uma das mais expressivas manifestações públicas de fé do Triângulo Mineiro. Trata-se de um rito que atravessa gerações, preservando formas, trajetos e símbolos que se repetem quase intactos desde tempos imemoriais.
Em 2025, por volta das 16h30, o carro-andor com a imagem de Nossa Senhora da Abadia é posicionado em frente à Basílica. Após a Missa Campal das 17h, pontificada pelo Exmo. Sr. Arcebispo Metropolitano de Uberaba-MG, e concedida a bênção final, tem início um dos momentos mais aguardados da festividade. Encerrada a celebração eucarística, cabe ao Magnífico Sr. Reitor Márcio Ruback dar o comando solene para a saída da procissão, que segue à frente com os irmãos do Santíssimo Sacramento.
O percurso da procissão também se configura como um elemento histórico. O cortejo segue em frente à Casa Paroquial, pela Rua Joaquim Perfeito Ribeiro até o seu final; dobra à direita na Rua Prefeito José Paleiros; vira à esquerda na Rua Custódio Guimarães; segue à esquerda pela Rua dos Fernandes; continua pela esquerda na Rua Intendente Tancredo Neves, até retornar à Praça da Basílica. Este trajeto, mantido com rigor ao longo das décadas, reforça o caráter tradicional e simbólico da celebração.
Entre as tradições que se perpetuam, destaca-se um costume que, em 2025, completou 112 anos. Quando Frei Pio Palácios, missionário espanhol da Ordem de Santo Agostinho, exercia o ofício de Vigário de Água Suja, concedeu, em reconhecimento à devoção, zelo e fidelidade ao secular Santuário, o privilégio ao Sr. João da Cruz Machado, natural de Araguari, e a seus descendentes, de conduzir a Cruz de Guia (Cruz Processional) na procissão triunfal da Assunção de Maria, celebrada em 15 de agosto.
No ano de 2025, esse legado foi mantido por três tataranetos de João da Cruz Machado, vindos de Brasília, que assumiram a condução da Cruz Processional. O gesto carregado de simbolismo despertou forte emoção, tanto pela memória dos antepassados já falecidos quanto pela consciência de participarem de uma das mais antigas e públicas demonstrações de fé da região.
Os relatos aqui apresentados têm respaldo em pesquisas históricas realizadas por Leonel Martins, a partir da análise de documentos, depoimentos de fiéis e consultas bibliográficas, com destaque para a obra Do Diamante ao Milagre da Fé – Romaria – Ex-Água Suja, de Maria das Dores Damasceno, 1ª edição, janeiro de 1997. Esses registros confirmam que a procissão não é apenas um evento religioso, mas um verdadeiro patrimônio histórico, cultural e espiritual do povo de Nossa Senhora da Abadia.
Henrique Mendes
Jornalista MTE 17702 MG
Colaboração do historiador Leonel Martins e do memorialista Matheus Fernando
Santuário Basílica de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja
Arquidiocese de Uberaba- MG