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Dom Paulo

Vigilância que ilumina - #161

03/11/2026
Vigilância que ilumina - #161

Diante da insegurança na sociedade, as câmeras de LED, principalmente as inteligentes, são as sentinelas da segurança, os vigias sorrateiros, às vezes até impercebíveis, usadas para ajudar na proteção contra os invasores diuturnos. No campo da espiritualidade da fé, na prática da vida cristã, a vigilância nos provoca a estar sempre atentos às manifestações de Deus nas realidades da vida.

A câmera de LED espiritual, que ilumina a vida do cristão, é Jesus Cristo. O que ele quer dos cristãos é a vigilância, o testemunho permanente e iluminador na vida do outro, porque o exemplo arrasta mais do que as palavras. Jesus não só falou as palavras motivadoras para as pessoas participarem do Reino de Deus, mas foi ao encontro do irmão, principalmente daquele mais fragilizado e abandonado.

Vigilância da fé significa estar preparado para acolher aquele que chega, inesperadamente. Deus acena para essa realidade como itinerário do Reino, em duas dimensões, uma, sobre o nascimento do Menino Jesus no Natal e, outra, no julgamento do fim dos tempos. Tudo isso dentro do contexto da sabedoria divina e do projeto de realização e consolidação do Mistério da Salvação.

A atitude de sentinela ajuda a pessoa a não colocar em risco a identidade de sua fé, por ser alguém convocado para vivenciar o que é proposto nos Mandamentos divinos. Há o perigo de influência das modernas e motivadoras idolatrias da cultura, que desviam as atenções e esvaziam o assentimento pelas Leis de Deus. A vigilância que ilumina exige consciência da ação em nós da sabedoria divina.

Caminhamos para o Advento e o Natal. Isto se repete todo ano e parece não ser mais novidade. Mas, Jesus Cristo é sempre novo, atual e repleto de energia iluminadora e restauradora de vida, porque eleva todos os fragilizados que, vigilantemente, o procuram de coração sincero. A fonte primeira disso está na Palavra inspirada da Sagrada Escritura, condição para alcançar a salvação.

O cristão não pode ser um acomodado, esmorecido, sem compromisso concreto com sua fé, imprudente, desanimado, como aquelas cinco virgens que aparecem no Evangelho. Foram para a festa de casamento sem azeite em suas lâmpadas, pois deveriam iluminar o espaço (cf. Mt 25,2). Acabaram sendo excluídas porque não foram vigilantes e encontraram as portas fechadas.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

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